terça-feira, 25 de março de 2025

Estudantes da região testam habilidades de raciocínio e lógica no Concurso Internacional Canguru de Matemática

                                                           Projeto iniciado na Austrália ganha força na França e atinge 95 países.

Estudantes do 3º ao 9º Ano dos municípios de Criciúma, Içara e Cocal do Sul participam da 17ª edição do Concurso Internacional Canguru Matemática Brasil. As provas são divididas em seis níveis, de acordo com a escolaridade dos alunos, e consistem em questões de múltipla escolha de dificuldade crescente. Elas serão aplicadas entre os dias 20 e 27 de março nas salas de aula das escolas participantes. Está prevista para o dia 2 de junho, a divulgação dos premiados com menção honrosa e medalhas de prata, ouro e bronze.

A Rede Municipal de Educação de Criciúma realizará as provas nos dias 25 e 26 de março. “Temos como objetivo estimular o gosto pela matemática, proporcionando uma experiência divertida e recompensadora. Trabalhamos com 15 professores nos clubes de matemática atuando em 16 escolas, atendendo 525 estudantes e efetivando ações neste sentido. Inscrevemos 6617 estudantes, sendo aproximadamente 2900 alunos dos Anos Iniciais e 3700 alunos dos Anos Finais”, informou a coordenadora dos clubes de matemática, Karine Mrotskoski.

Todos os estudantes são cadastrados e recebem um login e senha para acessar a área do estudante da plataforma Canguru. A organização emitirá um relatório de desempenho individual onde será analisado o índice de acerto das questões fáceis, médias e difíceis do estudante. Eles também terão acesso ao número de acertos em álgebra, geometria, números e lógica. O portal disponibilizou questões de provas anteriores, um simulado e um vídeo com explicação detalhada das resoluções. Joaquim Schefer Dagostim, 8 anos, estuda na turma do 3º Ano da escola Padre José Francisco Bertero. “Eu assisti um vídeo que explica como resolve as questões de 2023. Não vi tudo porque fiquei cansado e minhas orelhas começaram a doer por causa do fone, mas gostei bastante” comentou o menino.

A diretora da escola José Contim Portella, Scheila Alano Urbano, confessa que é competitiva e gosta de desafiar os estudantes. “Desde que assumi como gestora desta escola, eu os incentivo a participarem das olimpíadas em várias áreas de conhecimento. Ano passado, recebemos três medalhas de ouro e isso fortalece nossas ações”, comentou.

As turmas do período vespertino da escola Cristo Rei, de Cocal do Sul, participaram de um treinamento coletivo. Foram orientados a deixar as questões que não sabem em branco porque é descontado 25% do valor da pontuação em caso de erro. Miguel Padilha e Miguel Feliciano, do 6º Ano, avaliaram que as algumas questões podem ser resolvidas mentalmente e outras tinham respostas lógicas simples gerando desconfiança e por isso, demoraram mais tempo do que precisavam.

História do concurso

Há mais de 40 anos, o matemático australiano Peter O’Halloran e seus colegas criaram uma competição de matemática divertida, baseada em questões de raciocínio lógico e com perguntas de múltipla escolha. Inspirados nesse modelo, os franceses André Deledicq e Jean-Pierre Boudine adaptaram a competição para a França em 1991. O nome Canguru, animal símbolo da Austrália, foi escolhido como homenagem ao país que deu origem a uma ideia que tem como objetivo desenvolver habilidades matemáticas no espaço educacional.

A competição é administrada globalmente pela Associação Canguru sem Fronteiras. O concurso se expandiu para 95 países e atualmente conta com mais de seis milhões de participantes por edição. No Brasil, o concurso é realizado desde 2009.

quinta-feira, 6 de março de 2025

Minha carta de despedida da Educação de Criciúma

 

Comecei a trabalhar como professora, aos 20 anos. Era uma escola multisseriada, localizada na Linha Frei Rogério, em Concórdia. Eu levantava cedo, ia para a parada de ônibus pegar o transporte até a localidade distante 18 quilômetros do centro.

Naquela época eu dava aula para as quatro turmas dos Anos Iniciais, ao mesmo tempo. Quatro fileiras de carteiras, uma série em cada uma. Eu também limpava a sala, os banheiros e a cozinha. Eu preparava o lanche. Ia para a quadra de concreto descoberta dar as aulas de Educação Física. Também preparava a terra, os canteiros e as mudas das hortaliças que cultivávamos na horta. Alguns fins de semana jantei, dormi e almocei na casa dos alunos porque nossos coordenadores diziam que devíamos conhecer de perto a realidade deles. Visitei a escola recentemente, o quadro negro ainda está lá, mas a estrutura física está em ruínas. A sensação que tenho quando olho para o passado é de que apesar das múltiplas funções sem hora-atividade, era mais fácil dar conta das responsabilidades.

Quando comecei a trabalhar à tarde, comia arroz com ovo ou pão com salame, e partia para a outra escola. Andei de ônibus por 25 anos até conseguir comprar um carro.

Trabalhei sete anos em Concórdia. Queria sair de lá. Apresentei um trabalho numa Feira de Matemática, em Blumenau. Lá conheci um professor que me falou de um processo seletivo que havia na SATC e do atraente salário. Aproveitei a viagem e fiz o concurso público da Prefeitura de Criciúma. Consegui a vaga onde eu não esperava porque diziam que os aprovados eram cartas marcadas, ou seja, os concursos não eram transparentes. Fiquei bem classificada na prova, despenquei na lista porque não enviei os cursos em tempo. Mesmo assim ouvi da funcionária Magnólia que eu estava dentro. Decidi me mudar, sem conhecer a cidade e sem ter lugar pra morar.

Na fila da escolha de vagas conheci a Ana Fortunato. Lembro que conversar com ela me fez bem. Quando perguntaram qual escola eu queria, respondi: Qualquer uma, não conheço a cidade. Para tentar me ajudar, perguntaram onde eu morava. Respondi: Em lugar nenhum! Fui designada para a escola Marcílio Dias de San Thiago. No portão da escola havia um cachorro magrelo, os vidros estavam quebrados, se fala muito em gangues e a secretária Valdete não me atendeu direito porque estava triste com a decisão da filha de morar na Itália. Fui chorar na sala dos professores. Ela foi saber o motivo do desespero e no mesmo dia acolheu uma estranha por mais de um mês em sua casa. Foi assim, minha chegada aqui.

Trabalhei também na escola Hercílio Amante antes de chegar ao Bertero, onde sosseguei por mais de 15 anos. E, neste lugar, encerro meu ciclo com a Educação de Criciúma.

Levo as lembranças das formações continuadas, dos eventos no Teatro Angeloni, dos dias de leitura e pesquisa na Casa do Professor, dos campeonatos de cubo mágico, dos torneios de Othello, do trabalho encantador realizado nos Clubes de Matemática, das experiências com o Geogebra, das feiras de matemática, das dores causadas em Conselhos de Classe, da minha indignação com os processos que estão acabando com a nossa humanidade e a revolta com o desmantelamento do profissionalismo, dos dias de luta ao lado do sindicato, do período que fui coordenadora de matemática, das dificuldades de enfrentar as redes sociais e o descaso desta geração com o conhecimento que pode nos elevar, os choros e as comemorações com as conquistas dos estudantes, das falas sobre as famílias, dos abraços acolhedores dos colegas, dos resultados em olimpíadas de matemática e das reflexões sobre os erros e acertos. Toda esta bagunça se organizada em minha mente com sentimentos inexplicáveis.

O que aprendi de mais importante nestes anos todos? É que a primeira pessoa que merece nossa caridade, somos nós mesmos. Se cada um se cuidar melhor, estará preparado para ajudar o mundo. É por isso que subo serra, tomo banho em cachoeira, faço exercícios tibetanos e natação, guardo mais dinheiro para viagens do que para sapatos e roupas, frequento a Mahikari porque cuidar do lado espiritual traz a paz no coração, procuro estar mais com as pessoas importantes na minha trajetória terrena, não faço comentários polêmicos em redes sociais e continuo estudando. Em breve, estarei fazendo estágio no Tribuna de Notícias e já estou escrevendo meu projeto final de curso no jornalismo tratando dos Balseiros do Rio Uruguai.

 Hoje não vou falar dos fracassos. Talvez eu devesse, para não parecer que quero ser exemplo de uma pessoa que deu certo. Mas, no fundo acredito que Deus me pegou no colo e por isso estou saindo da Educação com a certeza de que fui abençoada pelas vozes que me cercaram nestes anos todos. Muito obrigada!